Regendo errado?
03/01/2014
Alguns dias atrás uma irmã da igreja onde congregamos me perguntou sobre a forma correta de reger, pois ela tinha levado uma visitante de outra denominação a um dos cultos em nossa igreja e essa visitante questionou a forma como os regentes estavam regendo os grupos musicais, visto que na denominação a qual ela pertence tem um cuidado muito grande com a execução da música e regência dos hinos. Também já fui abordado por pessoas da mesma denominação da nossa visitante acima que me perguntavam por que aqueles irmãos ficavam à frente dos conjuntos “regendo playbacks”.
Em nossa denominação, nessa cidade, é difícil dizermos se esta ou aquela é a maneira correta de reger, pois temos uma carência grande de músicos e a técnica de regência requer muito estudo e exercícios. Além disso, o regente deve ler e interpretar a música do hino que se pretende ensaiar e através e seus movimentos imprimirem nos músicos os sentimentos e mensagens que deseja serem transmitido para os ouvintes.
Para nós, qualquer pessoa que assume a função de ensaiar um grupo de cantores ou instrumentistas se torna o regente ou maestro daquele grupo, não importa se ela entende de Teoria Musical ou Prática de Regência. Mas alguns critérios são considerados para assumirem essa função, como:
- Cantar bem, aqui falamos de afinação e ritmo; e
- Saber cantar com playback, mesmo porque a maioria dos conjuntos utiliza o playback como acompanhamento instrumental e mesmo como back vocal.
O regente será responsável pelo repertório e condução dos ensaios e apresentações do conjunto. Assim sendo, cada um tem uma maneira individual de marcar a execução e o andamento da música de seu conjunto. E por não haver uma escola de música que ministre os rudimentos da prática de regência, cada um rege da forma que entende ou tenta reproduzir os movimentos de outro maestro. De acordo com J. Angelino Bozzini “embora até uma criança possa imitar a aparência dos gestos do regente, conseguir um gesto que seja ao mesmo tempo vivo e preciso não é uma tarefa tão simples. Seu domínio exige um trabalho consciente e dedicado, similar ao do bailarino para andar com leveza e graciosidade”.
Daí a grande diversidade de gestos e movimentos dos nossos regentes. J. Angelino Bozzini ainda afirma que “é possível um maestro, mesmo sem um bom preparo técnico de regência, conseguir bons resultados graças a uma intimidade com os músicos, com a qual se cria um ‘código’ de comunicação entre eles. Esse código, porém, só tem eficácia local”. Logo que uma pessoa que estuda ou estudou música observa as formas de reger tão peculiares em nosso meio podem ficar um pouco confusas por não conseguirem entender que tipo de compasso ou andamento que estão indicando, só sendo possível ouvindo a música.
Então para essa grande diversidade de gestos de entradas e cortes só resta dizer que “o caminho é mergulhar dentro de si próprio, tentando compreender sua condição de indivíduo e ser humano e, a partir daí, construir uma ponte entre essa experiência profunda e a prática musical”.